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CANAIS MUSCULARES (JING JIN): CORRETA CONCEITUAÇÃO

CANAIS MUSCULARES (JING JIN): CORRETA CONCEITUAÇÃO

Pretendemos com este breve texto iniciar uma série de artigos que objetivam demonstrar como a transmissão equivocada de ideias afetou, e continua afetando, o ensino e a prática clínica da Acupuntura no ocidente, principalmente no Brasil.

Os Canais Energéticos podem ser classificados em Canais Principais (Jing Zheng), Canais de Conexão (Jing Luo), Canais Divergentes (Jing Bie), Canais Musculares ou Canais Tendinomusculares (Jing Jin), Vasos Extraordinários (Qi Jing Ba Mai) e as regiões cutâneas (Bi Bu)(MACIOCIA, 2008; SOLINAS; MAINVILLE; AUTEROCHE, 2000; AUTEROCHE; NAVAILH, 1992). No ocidente, mais especificamente no Brasil, a definição adotada para os Canais Musculares, ou Canais Tendinomusculares, foi apresentada por Sussmann (1975) na qual eram definidos como faixas de Canais dispostos entre a pele e os músculos por onde percorreria, predominantemente, o Qi Defensivo (Wei Qi).

Muitos acupunturistas brasileiros, inclusive nós, adotamos por muito tempo a definição de Sussman (1975), acreditamos que isso se deu pela escassez de livros de acupuntura em nosso vernáculo na década de setenta, quando o interesse desta terapêutica por parte dos brasileiros começou a ser tornar mais expressivo; e a opção, por parte dos estudantes, pelo idioma espanhol ao invés do inglês, do francês ou alemão; sem contar, obviamente o chinês, o coreano ou o japonês. No entanto na definição de Sussman (1975) pode ser verificada uma miscelânea entre as definições e funções dos Canais de Conexão Superficiais, Canais Musculares e Zonas Cutâneas. Quando ele se refere aos Canais Musculares como faixa de canais verificamos uma confusão com as Zonas Cutâneas, estas sim se dispõem em faixas na pele, os Canais que se localizam na “porção do Qi Defensivo” são, na verdade os Canais de Conexão Superficiais e, por fim, os Canais Musculares não se relacionam com os músculos esqueléticos; eles são, sob o paradigma da medicina tradicional chinesa, os próprios músculos esqueléticos (MACIOCIA, 2008). A seguir serão apresentadas brevemente as bases teóricas para sustentar a problemática em questão.

No Cap. 13 do Ling Shu verificamos claramente que os Canais Musculares (Jing Jin) referem-se à distribuição dos Tendões ao longo dos Canais (WAN, 2001). É importante ressaltar que o ideograma Jin é frequentemente “traduzido” como Tendão; no entanto, segundo Ross (1994) Jin pode se referir aos tendões, músculos e ligamentos da medicina ocidental, motivo pelo qual é preferível apresentar a palavra em maiúsculo para se referir ao conceito chinês.

Auteroche (1992, p. 51) ao referir-se aos Canais Musculares é direto em conciso ao expressar que “representam mais exatamente os músculos distribuídos ao longo dos meridianos. Sua função é de ligar o esqueleto, de manter a coesão do conjunto do corpo e de comandar o movimento das articulações”.

Maciocia (2008) corrobora com Auteroche (1992) ao explanar que os Canais Musculares são, em essência, os músculos esqueléticos do corpo e, segundo o entendimento da medicina chinesa antiga, “canal do tipo músculos” seria uma tradução mais fidedigna.

Concluímos desta forma, que os canais musculares representam os músculos estriados esqueléticos influenciados por um determinado Canal Principal e são clinicamente relevantes no que diz respeito ao tratamento de afecções musculares, seja a estagnação de Qi e Xue devido a um trauma ou a Síndrome da Obstrução (Bi Zheng).

Pretendemos dar continuidade a explanação sobre Canais Musculares em um próximo texto, no qual serão enfatizadas suas aplicações clínicas.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

AUTEROCHE, B.; NAVAILH, P. O diagnóstico na medicina chinesa. São Paulo: Andrei; 1992.

MACIOCIA, G. Canais de acupuntura: uso clínico dos canais secundários e dos oito vasos extraordinários. São Paulo: Roca; 2008.

Ross, J. Sistema de órgãos e vísceras da medicina tradicional chinesa. São Paulo: Roca, 1994.

SOLINAS, H.; MAINVILLE, L.; AUTEROCHE, B. Atlas de acupuntura chinesa: meridianos e colaterais. São Paulo: Andrei; 2000.

SUSSMANN, D. Qué es la acupuntura. Buenos Aires: Kier; 1973.

WAN, B. Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo. São Paulo: Ícone; 2001 (original da dinastia Tang: 618–907).

Autor: Prof. Me. Henrique Adam Pasquini

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Henrique Adam Pasquini Fisioterapeuta, Especialista em Acupuntura pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, COFFITO, Acreditação Internacional de Acupunture Doctor pela World Federation of Acupuncture-Moxibustion Societies, WFAS; Mestre e Doutorando em Psicologia da Saúde pela Universidade Metodista de São Paulo, UMESP. Docente do Curso de Especialização em Acupuntura do Colégio Brasileiro de Acupuntura e Medicina Chinesa desde 2000 e de Cursos Técnicos na área da saúde do SENAC desde 1998. Atua como Acupunturista em consultório particular. Colaborador no Laboratório de Psicofisiologia da UMESP; nos protocolos de pesquisa “Correlatos Eletrofisiológicos das Modificações da Atenção em Longo Prazo” e “Idiossincrasia Individual na Distribuição das Oscilações Elétricas Corticais” coordenados pelo Prof. Dr. Luis Fernando Hindi Basile.

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